Parashá Vayera: removendo o sal de Sodoma

Parashá Vayera: removendo o sal de Sodoma

A Torah é peculiar, sagrada e vivamente cheia de segredos de toda a criação. Ela nos fornece os conceitos, detalhes e a harmonia necessária para entendermos o físico e o espiritual. Vemos isso em Parashá Vayera onde ela contrasta vividamente a bondade e a hospitalidade da casa de Avraham, bem como a crueldade e ganância dos cidadãos de Sodoma. Quando visitantes chegaram à casa de Lot, toda a cidade, cercou a casa com a intenção de molestar seus convidados. As tentativas de Lot de apaziguar os manifestantes apenas agravaram ainda mais a sua raiva.

A Torah oral, a saber, o Talmud faz uma conexão muito interessante entre a cidade perversa de Sodoma e o rito [judaico] de fazer a lavagem das mãos nas refeições. Nossos Chachamim decretaram que se lavasse as mãos antes e depois de comer pão, como uma forma de purificação ritual, semelhante à imersão parcial em um micvê [imersão de todo o corpo, um rito judaico]. O decreto deRabanan [ou seja, rabínico] de lavar as mãos antes das refeições é baseado na purificação dos Kohanim [sacerdotes] antes de comerem suas ofertas de terumah.

Mas, o Talmud em Maseret Chulin 105b, no entanto, fornece uma lógica bastante estranha para mayim acharonim, lavagem das mãos após a refeição. Os Chachamim explicaram que essa lavagem remove o sal de Sodoma, um sal perigoso que pode cegar os olhos. Então, o que é de fato esse sal sodomita? E o que isso tem a ver com purificação? Como pode este sal cegar os olhos? Com a ajuda de D’us e, somente Dele, Bendito Seja, vamos primeiro [dentro de nossos limites] entender a origem da imoralidade de Sodoma.

O povo de Sodoma estava obcecado em realizar seus desejos físicos, baixos. Eles se concentraram na mera satisfação própria, dos seus desejos mundanos, a tal ponto que não restou tempo para a bondade para com os outros. O desejo pela bondade passou, de fato, longe de seus corações. Eles gastaram todos os seus esforços perseguindo prazeres materiais, e não sobrou energia para ajudar o estrangeiro. Isto acontece em nossos dias? Deixo esse ponto para que vocês meditem não só nas ações de nossa geração, mas para daqui aprendermos os valores elevados, espirituais e profundos da bondade pelo próximo.

Com os conselhos de nossos Chachamim conseguimos entender que há um certo risco espiritual, se assim posso dizer, que se esconde em qualquer refeição que comemos. Nosso envolvimento em prazeres gastronômicos inevitavelmente aumenta o valor que atribuímos a essas atividades e diminui a importância das atividades espirituais, esforços que realmente nos aperfeiçoam. Como medida preventiva, os Sábios decretaram que devemos lavar as mãos antes de comer. Realizar seu ritual imprime em nossos coração a imagem de que somos como sacerdotes, comendo pão sagrado assado com ofertas de terumah . A refeição física que estamos prestes a fazer parte [ nos alimentarmos], de repente assume uma dimensão profundamente espiritual.

Apesar dessa preparação, nosso envolvimento no ato físico de comer reduzirá, de certa forma, em algum grau, nosso senso de santidade. Para combater essa influência negativa, lavamos as mãos após a refeição. Com essa limpeza ritual, lavamos o sal de Sodoma, o resíduo da preocupação egoísta em prazeres sensuais. Esse sal perigoso, que pode cegar nossos olhos para as necessidades dos outros, torna-se inofensivo através do ritual purificador de mayim acharonim [lavagem das mãos].

– Adaptado dos ensinamentos do Harav Kook

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